Allah, Glorificado e Exaltado seja, disse:
“E, se a Verdade seguisse suas paixões, os céus e a terra e quem neles existe haver-se-iam corrompido. Ao contrário, chegamo-lhes com sua Mensagem, e eles de sua Mensagem estão predispostos a desviar-se.”
Uma das coisas mais surpreendentes que acontecem na vida das pessoas é que se exija que a verdade mude para agradar aos desejos, que se queira moldar a religião de acordo com as vontades e que a revelação seja conduzida para corresponder ao estado de espírito geral. Como se o problema não estivesse nos desejos desviados, mas na verdade que permanece firme!
É justamente aqui que este versículo surge como uma sentença decisiva e categórica, estabelecendo uma balança que não muda:
A verdade não segue os desejos; são os desejos que devem submeter-se à verdade.
Por que a verdade não corresponde aos seus desejos?
Pode-se perguntar: não seria mais fácil fazer com que a verdade correspondesse aos seus desejos, para que acreditassem e se submetessem? A resposta divina vem de forma contundente:
“E, se a Verdade seguisse suas paixões, os céus e a terra e quem neles existe haver-se-iam corrompido.”
Porque seus desejos não são inocentes nem neutros; estão fundamentados em politeísmo, injustiça, desejo e fanatismo!
O universo foi estabelecido sobre a verdade e a justiça; se a balança dos desejos entrasse nele, toda a sua ordem se desestabilizaria.
A divergência e a contradição entre os desejos tornam-nos incapazes de estabelecer um sistema até mesmo dentro de uma pequena casa. Então, como poderiam, por meio deles, estabelecer o sistema dos céus e da terra?
O versículo estabelece uma grandiosa regra universal: o caminho da verdade é que ela seja seguida, e o caminho das pessoas é que se submetam a ela.
A verdade é firme, absoluta e justa. Quanto ao desejo, é mutável, relativo e instável.
Se a legislação fosse subordinada aos desejos humanos, o julgamento tenderia para o rico em detrimento do pobre, o fanatismo prevaleceria sobre a justiça, os desejos seriam permitidos sob o pretexto da liberdade e cada pessoa se tornaria legisladora de si mesma. Então não haveria mais ordem, mas caos.
Depois desse esclarecimento vem a dolorosa censura divina:
“Ao contrário, chegamo-lhes com sua Mensagem, e eles de sua Mensagem estão predispostos a desviar-se.”
O Alcorão não lhes veio para humilhá-los, mas para elevá-los. Não lhes veio para oprimi-los, mas para honrá-los.
Ele é sua Mensagem… sua honra… sua glória… sua dignidade entre as nações.
O Alcorão não é uma prisão, mas elevação. Não é restrição, mas orientação. Não é privação, mas libertação da servidão aos desejos.
E, apesar disso… afastaram-se dele!
Que perda pode ser maior do que uma pessoa afastar-se da fonte de sua honra? E que privação pode ser mais severa do que abandonar aquilo em que estão sua dignidade e sua salvação?
Afastar-se da Mensagem é o início do declínio. Quem se afasta de sua Mensagem, afasta-se de sua identidade. E quem se afasta da verdade perde-se em seus próprios desejos.
O Alcorão lembra você: quem é você? Por que foi criado? E para onde será seu destino? Quando essa Mensagem é abandonada, o ser humano se perde entre um desejo momentâneo e um prazer passageiro, até esquecer a si mesmo antes de esquecer seu Senhor.
O versículo não é apenas uma história sobre os politeístas de Quraysh, mas uma balança diante da qual cada geração é colocada. Quantas pessoas hoje desejam uma religião sem obrigações, sem limites, sem preceitos que contrariem seus desejos! Querem uma verdade que não as incomode e uma legislação que não entre em conflito com seus desejos.
E isso é exatamente aquilo contra o qual o versículo adverte: se a verdade atendesse a essas exigências, tudo se corromperia.
Este versículo reorganiza a relação entre o ser humano e a revelação: a revelação não se curva aos desejos, a verdade não se molda segundo as vontades e a justiça não aceita negociação.
Ou o desejo se submete à verdade… e então tudo se endireita em seu coração, assim como foi estabelecido pela balança dos céus;
ou o desejo é colocado à frente… e então começa a corrupção das balanças e a concretização do fim dos injustos.
A verdadeira salvação está em fazer com que a verdade seja a guia, não a seguidora. E em fazer do Alcorão uma balança, não apenas uma opinião entre opiniões.
Allah, Glorificado e Exaltado seja, disse:
“Ao contrário, chegamo-lhes com sua Mensagem…”
Se o Alcorão é nossa honra… por que nos afastamos dele? Se é nossa dignidade… por que o substituímos?
É um chamado para retornar à balança dos céus antes que a balança da terra se desequilibre.
Na realidade, não há pergunta que passe pelo coração, em meio a essa multidão tumultuada de cenas, forças, correntes e opiniões, sem que encontre uma resposta clara e satisfatória no Livro de Allah, Glorificado e Exaltado seja.
As pessoas hoje multiplicam suas disputas em torno da “verdade”, e cada uma fala da posição de quem defende aquilo em que acredita, sendo sincera em relação ao que considera correto. Entretanto, a verdade não é aquilo pelo qual as pessoas se fanatizam, nem aquilo que os slogans levantam; ela é aquilo que o grandioso Alcorão descreve e define segundo sua balança divina e firme.
Então, observe no final: com quem está a verdade?
Não está com aquele que faz mais barulho, nem com aquele que fala mais alto, nem com o mais fanático, nem com o que possui as alianças mais fortes; está com aquele que corresponde à luz da revelação e permanece firme na balança do grandioso Alcorão.
Aquele a quem é concedido seguir essa luz com fé, discernimento, resposta e ação… esse é verdadeiramente bem-sucedido, ainda que esteja sozinho.
Quanto àquele que dela se afasta e a substitui pelos desejos da alma e pelo barulho da discussão, não lhe resta senão girar no vazio e repetir murmúrios que não fazem senão aumentar sua distância e sua perda.
A verdade é reconhecida por sua luz… não pela quantidade de seus seguidores.
Ó Allah, faze-nos entre Seus soldados e Seus aliados!


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