A Inconsistência da Doutrina da Trindade: Uma Leitura do Texto e da História

A doutrina da Trindade cristã é envolta por uma aura de ambiguidade e contradição, atingindo um nível de complexidade que faz com que seus próprios adeptos sejam incapazes de compreender sua essência ou explicar seu significado, transmitindo-a como um legado enigmático sem reflexão.

Quando examinamos atentamente os próprios textos religiosos e os submetemos a uma análise histórica e doutrinária rigorosa, chegamos a uma verdade evidente: esta doutrina não passa de uma invenção puramente humana, e não uma revelação divina, representando um desvio claro da essência do “Monoteísmo” puro que foi trazido por todos os profetas e mensageiros dos céus ao longo da história.

Primeiro: O Silêncio Bíblico.. A Ausência de Prova Explícita


A doutrina da Trindade carece, em sua essência, de uma base textual sólida dentro da Bíblia Sagrada, pois sofre de um vazio evidencial claro:

Ausência do Termo e do Conceito: Não partiu de Jesus — que a paz esteja com ele —, conforme registrado nos Evangelhos, qualquer chamado para crer em três hipóstases (pessoas), nem a palavra “essência” ou os termos complexos da Trindade aparecem em nenhum dos textos sagrados, o que derruba o argumento de sua origem bíblica.

O Texto Interpolado (A Cláusula Joanea): O único argumento explícito de que os cristãos se valem — conhecido como “Cláusula de João” (1 João 5:7) — teve sua falsidade comprovada pela crítica científica; trata-se de um texto acrescentado e interpolado que não existe nos manuscritos gregos mais antigos e confiáveis, tendo sido inserido nos textos tardiamente, o que constitui uma deturpação flagrante.


O Testemunho Bíblico do Monoteísmo: As páginas da Bíblia Sagrada — tanto no Antigo quanto no Novo Testamento — estão repletas de textos que consolidam a absoluta unidade de Deus e negam qualquer parceiro a Ele. Tais textos posicionam-se como obstáculos à ideia da Trindade e colidem diretamente com ela, confirmando que o “Monoteísmo” é a raiz original e a mensagem verdadeira trazida pelas revelações celestiais.


Segundo: O Desenvolvimento Histórico.. Do Evangelho aos Concílios


A análise histórica da origem da doutrina revela a falsidade da alegação de sua antiguidade, confirmando que ela não era o ensinamento de Jesus e de seus discípulos, mas sim o produto de disputas eclesiásticas e influências externas:

Fabricação dos Concílios, Não Guia de Cristo: A Trindade em sua forma atual não é um ensinamento revelado a Jesus, mas sim um dogma estabelecido pelos concílios eclesiásticos séculos após sua ascensão, destacando-se o Concílio de Niceia, onde a doutrina foi formulada e fixada por maioria humana, e não por texto divino.


A Doutrina da Subordinação (Subordinacionismo): Os registros históricos indicam que os pais da igreja primitiva — antes do Concílio de Niceia — adotavam o “Subordinacionismo”, que considera o Filho inferior em categoria ao Pai e submisso a Ele. Essa doutrina destrói a ideia de “igualdade das hipóstases” trazida pelos dogmas posteriores.


Sombras Pagãs: Não é possível separar a doutrina da Trindade de seu contexto histórico de influência do ambiente pagão circundante; a ideia de “tríades divinas” era prevalente e sagrada em muitas civilizações antigas (como Índia, Egito e Babilônia), o que sugere que o cristianismo tomou emprestado esse conceito e o moldou, sendo uma apropriação do paganismo e não algo original na religião.


A Razão Aprisionada: A doutrina da Trindade representa uma contradição lógica flagrante e um dilema intelectual insolúvel; pois é impossível para a mente sã que Deus seja “um” e “três” simultaneamente. Em suma, trata-se de um desvio da índole natural (Fitra), um artifício humano superficial que ofusca a luz do monoteísmo com interpretações enganosas.


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