“Disseram: ‘Ó Moisés, há ali um povo tirânico’” [Al-Mā’idah 5:22]. Entre os obstáculos ao confiar em Allah e agir conforme Ele ordena estão dar ouvidos aos alarmistas e se render a eles. O povo de Moisés (a paz esteja com ele) teve medo e se recusou a cumprir a ordem de seu profeta assim que ouviu a notícia de que os habitantes da cidade eram poderosos e opressores — sem verificação nem constatação direta. O que ouviram sobre o povo da cidade — com exageros acerca de sua força — não passava, em essência, de uma antiga tática de guerra. Os alarmistas não transmitem a informação de forma neutra; eles a ampliam para espalhar o medo nos corações e quebrar o moral. Isso é expresso no ditado: “derrotem-nos pelo som antes que vos derrotem”. O alarmismo não exige necessariamente mentira; às vezes, a própria verdade é usada como instrumento de desânimo quando separada da companhia de Allah — de modo que o inimigo apareça como uma força absoluta e invencível, enquanto se esquece que todo o poder pertence a Allah. O crente é perspicaz e inteligente: compreende as notícias que recebe sobre o inimigo, pesa-as com sabedoria e as interpreta corretamente. Ele adota os meios, buscando ajuda em Allah, para distinguir o verdadeiro do falso — sem imprudência nem rendição. Não se deixa levar apenas por notícias, pois sabe que muitas são falsas ou visam desmotivá-lo da obediência a Allah. Por isso, dois homens justos do povo de Moisés — entre aqueles que temiam a Allah — disseram, encorajando-os à obediência a Allah e ao Seu Mensageiro (a paz esteja com ele): “Dois homens, dentre os que temiam a Allah e que haviam sido agraciados por Ele, disseram: ‘Entrai por eles pelo portão; quando entrardes, sereis vitoriosos. E em Allah confiai, se sois crentes’” [Al-Mā’idah 5:23]. Mas responderam: “Ó Moisés, jamais entraremos nela enquanto eles lá estiverem. Vai tu, com teu Senhor, e combatei; nós ficaremos aqui sentados” [Al-Mā’idah 5:24]. Assim, a consequência de sua recusa e desobediência ao mandamento de Allah foi: “Ela lhes será proibida por quarenta anos; vagarão pela terra. Portanto, não te aflijas pelos perversos” [Al-Mā’idah 5:26].
A partir desses versículos, emergem lições profundas:
O medo natural não é condenável, mas é condenável abandonar a obediência por causa dele. O povo de Moisés não foi censurado por sentir medo, e sim porque o medo os levou a desobedecer.
Ter má opinião de Allah é um grande obstáculo à confiança n’Ele. Sua fala não foi mera descrição, mas refletia dúvida na promessa divina.
A confiança (tawakkul) é um ato do coração que não contradiz tomar os meios. “Entrai pelo portão” indica ação; “confiai em Allah” indica dependência espiritual.
O perigo do alarmismo é maior nos corações do que nos corpos. Ele derrota primeiro o interior, e então o exterior.
As notícias são uma arma. Nem toda informação é verdade; aceitá-las sem verificação pode levar ao fracasso.
Poucos não significa insignificante. Apenas dois permaneceram firmes, e Allah eternizou suas palavras.
Sabedoria ao falar com os desanimados: não os repreenderam duramente, mas ofereceram orientação prática, esperança e ligação com a fé.
Vincular ações à fé é um princípio essencial: não disseram “se sois fortes”, mas “se sois crentes”.
A vitória depende da obediência, não da ausência de risco. O comando veio apesar do perigo.
Quem recua da ordem de Allah pode ser privado do bem. Sua desobediência resultou em perda e extravio.
Por: Filha de Hussein


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