Invada seus próprios desejos e a falsidade.

“Jamais entraremos nela enquanto eles não saírem; se saírem, então entraremos.” Essa foi a resposta do povo de Moisés quando ele lhes disse: entrem na Terra Santa e lutem contra os descrentes que ali estão. Não estou aqui para falar dos judeus ou da Terra Santa, mas esse versículo me levou a uma pergunta: quantas vezes você ficou diante de uma situação que exigia sua coragem para estabelecer a verdade — que pedia enfrentamento e iniciativa — e você recuou, tremendo? Quantas vezes você precisou encarar a si mesmo com coragem, para conduzir sua alma ao que Deus ordena — não para remendá-la nem encobrir seus erros, mas para enfrentar seus próprios desejos? Essa covardia é um sinal de fraqueza na fé do coração; é, na verdade, um dos piores traços de caráter. Já foi definida como: a fraqueza do coração diante daquilo em que ele deveria ser forte. O Profeta (que a paz e as bênçãos estejam sobre ele) buscava refúgio contra isso: “Ó Deus, eu busco refúgio em Ti…”, até mencionar “a avareza e a covardia”. Qual é, então, o valor da prova? Qual o sentido de afirmar que busca a verdade, se você se recusa a caminhar até ela por covardia? Será que os descrentes sairão da sua terra, entregando-a a você e dizendo: “Entre, ela é sua”? Será que o diabo o abandonará depois de tê-lo afastado da verdade e vencido a disputa? “Sentar-me-ei para eles no Teu caminho reto.” Ele está ali, firme, sem sair — cabe a você lutar. Em seguida, vem o versículo: “Disseram dois homens, dos que temiam a Deus, a quem Ele agraciou: ‘Entrem por aquele portão; se entrarem, serão vitoriosos. E confiem em Deus, se forem crentes.’” Repare como Deus descreve esses dois homens: estavam em um nível diferente dos outros; seus corações eram confiantes, certos, cheios de fé. Observe também a expressão: “a quem Deus agraciou”. Esses significados não são para qualquer um — são uma graça especial que Deus concede a quem quer. São corações cheios de temor a Deus. E quem teme a Deus, como poderia temer as pessoas? Quem O exalta no coração, como permitiria que algo estivesse acima d’Ele? Lembre-se também da confiança do Profeta José em seu Senhor, quando disse: “Se Tu não afastares de mim as suas artimanhas, inclinarei a elas.” Essa é a certeza de que Deus auxilia quem confia n’Ele — uma certeza que gera coragem para dizer: “Deus me livre! Meu Senhor me concedeu boa morada.” José enfrentou seus próprios desejos porque Deus era grandioso em seu coração, e por isso Deus o protegeu. A certeza gera confiança, a confiança gera coragem, e a coragem é uma característica do crente. E o crente forte — diante de seus inimigos e de seus próprios desejos — é melhor e mais amado por Deus.

Escrito por: Salam Abidin


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