A ligação do céu com o filho de Adão é uma ligação antiga, profundamente enraizada no tempo e rica em significados; a ponto de parecer ao ser humano que o céu lhe é mais próximo do que ele próprio, e mais intimamente ligado a ele do que a terra que pisa e sobre a qual vive.
O nosso Profeta Muhammad ﷺ contemplava frequentemente o céu. Allah, o Altíssimo, disse:
(“Vemos o teu rosto voltar-se repetidas vezes para o céu”).
O seu olhar para o céu o consolava nos momentos de interrupção e demora da revelação; pois ele é a morada da misericórdia, o ponto de partida das boas novas e o refúgio do coração quando o peito se aperta.
O céu é uma criação grandiosa dentre as criações de Allah, exaltado seja. Ele disse: (“Sois vós mais difíceis de criar ou o céu? Ele o construiu”).
Nele está o cortejo divino; dele são decretados os meios de subsistência; a ele sobem as obras; e nele se manifesta a luz do Senhor dos mundos — a Luz dos céus e da terra. Por isso, tudo aquilo que provém do pó anseia, por natureza, pelo céu.
Talvez o que traga aconchego à alma ao contemplá-lo seja o fato de que o Trono do Senhor, Glorificado seja, está acima de Seus céus; e tudo o que se aproxima do Misericordioso torna-se mais solene e mais impactante para o coração.
E disse o Altíssimo:
(“E, em verdade, colocamos no céu constelações e o embelezamos para os que observam”).
Ele está adornado, por ordem de Allah, com planetas, estrelas e galáxias. Como, então, não erguer nossos olhos a ele com reflexão e ponderação? Acaso os olhos não se cansaram de olhar apenas para a terra e para suas preocupações intermináveis? Ergue o teu olhar para o céu com temor reverente e visão interior, e encontrarás — com a permissão de Allah — o teu coração retornando carregado de orientação e envolto em dádivas.
A grandiosidade e a vastidão do céu são uma prova decisiva da existência de um Criador sublime, digno de adoração exclusiva, sem parceiros. Como disse um dos virtuosos:
“Os excrementos indicam o camelo, e as pegadas indicam o caminho; pois um céu com constelações e uma terra com caminhos não indicariam o Sutil, o Onisciente?”
Mas qual é o segredo da cor azul com a qual o céu derrama sua serenidade sobre os corações e os olhares?
Ibn al-Qayyim, رحمه الله, responde sobre a sabedoria disso dizendo:
“A cor azul do céu não foi por acaso, mas por uma sabedoria extraordinária; pois essa cor é a mais adequada e confortável para a visão.”
Não se deve entender, ao falar do céu, uma exaltação de sua essência; mas sim porque ele é uma criação honrada, à qual Allah ordenou que Seus servos refletissem.
O céu, com os sinais que contém, é uma porta à qual o crente bate sempre que o mundo se lhe torna estreito — seja por meio da súplica e da intimidade com Allah, seja apenas pela contemplação e meditação de seus sinais. Assim, o coração anoitece tranquilo, certo de que acima dele há um Senhor Generoso e Misericordioso que não esquece Seus servos.
Ó Senhor do céu, faze-nos dentre Teus servos sobre os quais disseste:
(“Aqueles que se lembram de Allah em pé, sentados e deitados de lado, e refletem sobre a criação dos céus e da terra: ‘Senhor nosso, não criaste tudo isso em vão. Glorificado sejas! Protege-nos do castigo do Fogo’”).
Por: Bint Hussein


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