Todos nós somos postos à prova; essa é a realidade da vida da qual ninguém pode escapar. Alguns são testados pela dificuldade, outros pela prosperidade. Uns passam pela dor, outros pela alegria. Há quem seja provado pela doença, pela pobreza ou pela necessidade, e há quem seja provado pela saúde e pela riqueza… Todos, sem exceção, somos provados uns pelos outros.
Certa vez ouvi alguém reclamar que um parente o oprimia com injustiças e armadilhas, causando-lhe grandes sofrimentos. Porém, sempre que olhava para a vida desse parente, via que ele vivia em paz e conforto, cercado de luxo, com filhos obedientes e afetuosos. Isso aumentava ainda mais sua dor, e ele chegou a pensar que Deus estivesse satisfeito com o injusto e irado com ele próprio.
Uma amiga também me contou, em prantos, que se sentia aflita justamente por viver em tranquilidade e saúde, sem enfrentar grandes dificuldades aparentes. Ela imaginava que isso fosse sinal da insatisfação de Deus com ela.
Ambos — e muitos outros — não percebem que a prosperidade pode ser um teste ainda mais difícil e severo do que a adversidade. O ser humano deve receber todos os decretos de Deus — seja qual for a forma — com consciência e temor a Ele. Como disse Ibn al-Qayyim (que Deus tenha misericórdia dele):
“Saiba que você é um servo posto à prova, apenas em aparência se vê como dono e controlador.”
Deus também nos tornou provação uns para os outros: o fraco é provação para o forte — verá este se teme a Deus em relação a ele ou não —, e o forte é provação para o fraco. O pobre é provação para o rico, e o rico é provação para o pobre. O doente é provação para o saudável, e o saudável para o doente. Como Deus disse:
“E fizemos de alguns de vós provação para os outros. Acaso sereis pacientes?” (Alcorão 25:20)
A questão não está nos decretos em si, pois Deus testa cada pessoa de acordo com aquilo que ela pode enfrentar e superar. O verdadeiro problema está em como recebemos esses decretos: muitas vezes não sabemos acolhê-los, nem lidar com eles, e ainda nos ocupamos com as provas dos outros esquecendo as nossas próprias — nas quais, com frequência, falhamos.
Além disso, há as armadilhas do Shaytán (Satanás), que não deixa em paz nem o aflito nem o saudável: enche-os de descontentamento, desespero, tristeza e medo, apenas para que desperdicem o tempo de seu teste e percam a concentração. E quando o tempo da prova se encerra, descobrem que desperdiçaram tudo com o que não lhes trouxe benefício algum.
Assim, sábio é aquele que desperta cedo, compreende a verdade e busca a salvação pela misericórdia de seu Senhor, o Altíssimo.
Por: Sana Barq


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