A liberdade não se limita a livrar-se de uma prisão material e visível, pois quantas pessoas são livres mesmo em suas celas, e quantos vivem como escravos apesar de andarem soltos.
O que vemos das nações se libertando da injustiça e da tirania não é toda a liberdade, mas apenas uma de suas formas.

E entre as formas mais sutis de escravidão — que muitos consideram erroneamente liberdade — está a divinização das pessoas,
esse processo que começa pequeno, quase imperceptível, mas cresce até escravizar corações e mentes.

Os povos que foram escravizados por longos e árduos anos e depois se libertaram, deveriam guiar-se pela luz divina — representada na adoração pura a Deus somente —
colocando os fundamentos do Islã, cujo primeiro é o testemunho de que não há divindade além de Allah.

O ser humano pode até passar da servidão a um tirano para a servidão a um justo — em sua percepção —
e sem dúvida isso é o menor dos males, mas ainda assim é um mal, apenas em uma forma mais suave.

A servidão começa com a veneração de pessoas,
e a veneração cega gera cegueira interior,
uma cegueira que transforma os defeitos em virtudes e as virtudes em ídolos.

Assim, tanto o sábio quanto o ignorante, o demagogo e o governante podem ser endeusados,
e embora diferentes em posição, todos compartilham de um mesmo mal que conduz à grande corrupção.

Por isso, o excesso de reverência e a adoração cega são sinais de falta de consciência e de ausência de uma base central firme —
aquela que começa e termina no Tawḥīd, a Unicidade de Deus.

Por: Salam Abidin


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