Pausas com os Profetas (Yusuf — que a paz esteja com ele)

É acusado de roubo ainda criança, apesar de ser inocente, e seu pai e sua tia sabiam disso. Mesmo assim, essa marca permaneceu presa a ele entre seus irmãos por muitos anos.
Seus irmãos sentiam inveja do amor que seu pai tinha por ele, embora ele tivesse perdido a mãe ainda muito pequeno. Mas a inveja — aquela mesma que expulsou nosso pai Adão, que a paz esteja com ele, do Paraíso — foi a que expulsou Yusuf, que a paz esteja com ele, de sua terra e de sua fortaleza protegida pelo olhar de Yaqub, que a paz esteja com ele.

Na escuridão do poço, sozinho, uma criança pequena tremendo de medo, veio-lhe a boa-nova:

“E inspiramos nele: Com certeza, tu os informarás sobre esse ato deles, quando eles não perceberem.”
Haveria para ele um momento de explicação e esclarecimento sobre o que fizeram, enquanto eles não imaginavam.

Foi uma boa-nova que acalmou o coração de Yusuf, rasgou o manto da escuridão e iluminou seu peito com uma luz brilhante.

Depois de deixar sua fortaleza segura, foi vendido por um preço irrisório, passando de mercado em mercado, comprado e vendido, até que o Aziz o tomou para si.

Entre a dor da separação e a saudade de seu pai, além da tristeza pela traição de seus irmãos, veio-lhe uma provação de outro tipo: a esposa do Aziz, movida por seus pensamentos perversos, tentou seduzi-lo e disse:

“Vem, estou pronta para ti.”

Yusuf, cujo coração Deus havia purificado da inveja contra seus irmãos, que havia sido afastado do pai e sofrido na infância, agora enfrentava a tentação da esposa do Aziz em toda a sua beleza, dizendo: “Eu me preparei para você, ó Yusuf.”

Mas ele era Yusuf, o veraz, o confiável, que não traiu a Deus, nem traiu aquele que o havia comprado na infância, e não esqueceu o favor recebido. Então, Deus relata suas palavras:

“Busco refúgio em Deus! Ele é meu senhor; concedeu-me boa morada. Certamente, os injustos não prosperam.”

Yusuf correu como um pássaro fugindo de sua predadora; sabia que era uma tentação e que, se permanecesse, cairia nela. Teve plena consciência de que Deus estava com ele; e quando duas pessoas estão juntas, Deus é o terceiro. Não se importou com a posição dela, mas temeu somente a Deus, o Altíssimo.

Então, caiu em outra provação, quando o Aziz — que havia sido bom para ele — viu sua esposa com Yusuf a sós. Yusuf defendeu-se e explicou que era a vítima. Uma testemunha da família dela confirmou sua inocência, mas os cargos e interesses do mundo cegaram seus olhos.

Assim, Yusuf foi lançado em outra provação, mas desta vez ele a escolheu por vontade própria, distante das tramas deles, dizendo:

“Ó meu Senhor, o cárcere é mais querido para mim do que aquilo a que me convidam. E se não afastas de mim as suas astúcias, posso inclinar-me a elas e tornar-me dos ignorantes.”

Afastou-se da tentação para uma provação mais dura, mas que, para ele, era preferível a cair no pecado.

A provação o acompanhou desde pequeno, e o alívio veio apenas após muitos anos, nos quais provou a amargura da perda, do abandono, da ingratidão, da tentação, da prisão e de suas dificuldades.

O alívio veio na forma de um sonho. Ele saiu da prisão, sua inocência foi revelada, aqueles que o injustiçaram foram punidos, reuniu-se com seu pai e seus irmãos, e tornou-se ministro do Egito.

O alívio pode tardar, mas vem com um manto mais quente, um coração mais forte, uma mente mais sábia — e quem tem paciência, alcança.

Escrito por: Dina Ahmed


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