Em meio a esta vida monótona, dominada pelo materialismo e pelo esquecimento, por parte de muitos, da verdadeira realidade deste mundo e do destino final que os aguarda, tornaram-se visíveis as consequências disso: a expansão das doenças psicológicas e físicas, e a fragilidade diante das provações e testes que Deus decreta.
Escrevo estas linhas na esperança de consolar um coração abatido pela tristeza, tranquilizar uma alma sufocada pelas preocupações, ou aliviar um espírito cansado pelas dores e enfermidades.
Quem imagina que a vida é adornada apenas com flores e suavidade está iludido. A vida é uma morada de provações, moldada pela dificuldade e pelo esforço. Ela própria te ensina que não é um lugar de descanso permanente nem de alegria contínua.
E neste artigo, você não encontrará palavras de anestesia ou ilusões, mas sim o enfrentamento da verdade como ela é!
Para atravessar este mundo passageiro, há um plano que garante chegar ao destino final em paz, com a permissão de Deus. O plano se divide em duas partes:
Primeira parte do plano: as dificuldades e provações
Saiba que tristeza, angústia, preocupação e aperto são enfermidades inevitáveis na jornada — assim como o corpo não escapa das doenças físicas. Esta é uma verdade esquecida por muitos. Deus diz: “para testar quem dentre vós é o melhor em obras”.
E o servo é provado conforme a força de sua fé. Este é o decreto de Deus, inevitável e incontornável.
A vida foi criada marcada por fadiga e dificuldade — assim ela é!
Como disse o poeta:
“A vida foi moldada na aflição, enquanto tu a queres
Pura, sem máculas nem tormentos.”
E isso não contradiz a fala de Deus:
“Quem fizer o bem, homem ou mulher, e for crente, Nós lhe concederemos uma vida plena.”
Ibn al-Qayyim explicou que a “vida plena” é a vida do coração — sua alegria, paz, luz e contentamento pela fé, pelo conhecimento de Deus e pela confiança n’Ele. Não há vida mais doce que essa, exceto a vida do Paraíso. Ele disse:
“Passam por mim momentos em que digo: se os habitantes do Paraíso estiverem vivendo algo semelhante a isto, então realmente estão em uma vida deliciosa.”
Os estudiosos também afirmaram que a “vida plena” não se refere ao conforto material, riqueza, ausência de doenças ou de tribulação — mas sim a uma vida interior de serenidade, que faz o crente enfrentar as adversidades sem que elas o destruam.
Ora, como esperar caminhar longas distâncias e não se cansar, mas desejar percorrer os caminhos da vida sem fadiga? Deus diz: “Criamos o ser humano em luta constante.”
Quando você compreende essa verdade, as dificuldades da vida tornam-se menores aos seus olhos. Quem sabe que a jornada é cheia de provações aprende a suportá-las com mais força.
A pessoa sábia anda pela vida com paciência, certeza e firmeza, sabendo que aquilo que o atinge já atingiu outros antes, e atingirá outros depois.
Essa visão ampla suaviza a carga da alma e a ajuda a seguir adiante.
E a alma do crente verdadeiro sabe atravessar os caminhos da vida com o menor dano possível — e somente o crente sincero é agraciado com isso.
O melhor provisão nessa jornada é a taqwa (piedade), como diz Deus:
“E providenciai-vos, pois a melhor provisão é a taqwa.”
Segunda parte do plano: as consequências e a recompensa
Saber o que resultará de cada provação e qual é o fim de toda dificuldade é uma das maiores ajudas para suportar, com paciência e contentamento, os decretos dolorosos.
E isto é exclusivo para os crentes, pois o Profeta ﷺ prometeu-lhes algo que alivia o peso deste mundo:
“Nenhuma fadiga, doença, preocupação, tristeza, ofensa ou angústia aflige o muçulmano — nem mesmo o espinho que o fere — sem que Deus expie, com isso, parte de seus pecados.”
Ó viajante, você não caminha em vão, nem seus passos são desperdiçados. A misericórdia de Deus e Suas suavidades ocultas te acompanham por onde fores — então não desanime.
A menos que você tenha se distraído no caminho, ou preferido os adornos passageiros — verdadeiros assaltantes da jornada — em vez das recompensas eternas.
Somos estrangeiros neste mundo! A vida terrena não é nossa pátria. O Paraíso é o nosso primeiro lar e o destino final — assim Deus permita. Ele diz:
“A verdade é que a outra vida é a morada permanente.”
E o preço de retornar para sua verdadeira casa é você mesmo:
Ou você entrega sua alma a Deus e se liberta para sempre do cansaço do mundo,
Ou a vende, por pouco, aos desejos passageiros — e vive em eterna inquietação.
Esse é o plano da travessia:
Paciência e esperança na jornada,
Provisão de taqwa,
E destino final: uma morada sem fadiga nem tristeza.
Ó Deus, não faças do mundo o nosso maior objetivo,
Nem o limite do nosso conhecimento,
Nem o nosso destino final o Fogo.
Faze do Paraíso a nossa morada e o nosso repouso eterno.
Por: Filha de Hussein


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