Irriga o coração, acalma os sentidos e arranca as tristezas pela raiz.
Você sente dentro de si um pássaro querendo voar, tamanha é a leveza que nasce da serenidade e da paz que o preenchem por dentro.

Diz-se que o Alcorão é a “primavera”, porque ele é comparado à estação que faz a terra reviver com o verde depois da morte.
Assim é o primavera do coração: quando o Alcorão é derramado sobre ele, floresce depois de murchar, e faz brotar a luz oculta no interior da alma. O Alcorão dá vida aos corações por meio da fé, do conhecimento e da sabedoria.

Ele aperfeiçoa o seu caráter se você o colocar em prática.
A ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse, ao descrever o Profeta Muhammad ﷺ:

“Seu caráter era o Alcorão.”

Pelo Alcorão, os corações se enfeitam, as virtudes se elevam e as visões se iluminam — se houver prática.
Com ele, os corações vivem; por meio dele conhecemos as histórias e as lições das nações que nos antecederam.
Ao ouvi-lo, a alma se aquieta e se desprende do mundo, especialmente quando a recitação vem de uma voz humilde e comovida.

Imagino o que sentiu Usayd ibn Hudayr (que Allah esteja satisfeito com ele) ao saber que os anjos haviam descido para escutar sua recitação, tamanha era sua devoção!

E o que sentiu Abu Musa al-Ash‘ari (que Allah esteja satisfeito com ele) quando o Profeta ﷺ lhe disse que amava ouvir sua recitação, dizendo-lhe:

“Foste agraciado com uma voz como as flautas da família de Davi.”

O Profeta ﷺ amava ouvir o Alcorão recitado por ele, pois sua voz era bela e cheia de emoção.

O Alcorão exerce um poder imenso sobre as almas — quem o ouve é profundamente tocado.

O descrente Al-Walid ibn al-Mughira chegou a dizer:

“Por Deus, as palavras que ele pronuncia têm doçura, têm brilho, seu topo é frutífero, sua base é abundante; ele se eleva e nada o supera; ele destrói o que está abaixo dele.”

De fato, o Alcorão é um milagre divino concedido à humanidade.

Quando o Profeta ﷺ recitou a surata An-Najm e chegou ao versículo:

‘Prostrai-vos diante de Deus e adorai-O’,

todos os presentes se prostraram, até mesmo os incrédulos de Quraysh — tamanha era a força das palavras do Alcorão.

O Alcorão é primavera para quem deseja que ele seja sua primavera — para quem segue suas ordens e evita o que ele proíbe.
Nem todo aquele que o memoriza o pratica; há muitos que o carregam na mente, mas poucos que o vivem com o coração.

Pergunto-me:

Como alguém que carrega trinta luzes (as trinta partes do Alcorão) em seu peito pode permitir que a tristeza apague a luz do seu coração?
Como alguém que traz sessenta raios de luz (as sessenta seções de recitação) não age conforme o que nelas está?

O Profeta Muhammad ﷺ ensinava a fé antes do Alcorão.

Disse Jundub ibn ‘Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele):

“Estávamos com o Profeta ﷺ quando éramos jovens; aprendemos a fé antes de aprendermos o Alcorão.
Depois, aprendemos o Alcorão e isso aumentou nossa fé.”

Quando os companheiros liam o Livro de Deus e o estudavam juntos, sua fé crescia e sua convicção se fortalecia.

Este é o significado da palavra de Deus:

“E quando lhes são recitados os Seus versículos, aumenta-lhes a fé, e confiam em seu Senhor.”
(Al-Anfal, 8:2)

O Alcorão é fé e prática.

É a primavera dos corações e a luz dos peitos.

Por Dinaa Ahmad


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