O ser humano começa sua vida com o recipiente do coração cheio, doando dele a tudo que o cerca. À medida que cresce, percebe que esse coração precisa ser revestido de consciência — para servir de barreira contra o mal ou, ao menos, para amenizá-lo. Cresce mais um pouco e entende que a consciência, sozinha, não basta; deve ser mergulhada na revelação divina. Pois a consciência cultivada em um solo distante da revelação não é igual àquela irrigada por ela: a primeira é manchada pelo desejo e se torna tortuosa, presa à terra; a segunda tem raízes firmes e galhos no céu, dando frutos em todo tempo.
E você pode comparar: sofrer sendo servo de Deus não é como sofrer sendo inimigo Dele — e o que dizer se fores um dos Seus amigos? “Aquele que é inimigo de um dos Meus amigos, declaro-lhe guerra.”
Quem te sustenta, tanto no primeiro caso quanto no segundo?
As provas do muçulmano diferem das dos outros, pois ele é testado em seus significados mais profundos — e quantas vezes foi testado em seu coração! — ao contrário dos demais, que são provados apenas como seres humanos no mundo da dificuldade. E, talvez, essas provações sejam o lampejo de luz que o guia ao refúgio de Deus, que lhe indica o sentido do caminho e sussurra: “Suas amarguras estão aqui; suas alegrias, lá.”
O crente pode dar um passo por Deus no mundo das pessoas, carregando no peito a certeza da presença divina — e ser então testado justamente nessa certeza.
Você deu esse passo com convicção; permanecerá firme nele, mesmo sozinho?
O crente é submisso a Deus; pode não compreender a sabedoria divina em sua provação, mas talvez a própria submissão seja toda a sabedoria.
Enquanto não encontra a resposta, continuará crendo no bem que há no que aconteceu?
Ibn ‘Ashur disse: “Aquele que entrega seu assunto a Deus não deve questionar Sua administração.”
As provações não destroem o crente — elas o lapidam.
Não matam seus significados — as ampliam.
Aumentam sua consciência da responsabilidade de preservar o coração em um mundo que tenta arrancá-lo.
Por: Salam Abidin


Deixe um comentário